20 anos de … texto que publiquei em 01/10/2012

O primeiro desafio surgido após o impeachment de Fernando
Collor, o caçador de marajás, foi encontrar um brasileiro que admitisse ter
votado nele. É verdade! Mesmo hoje, perguntando a todos que devemos perguntar,
especialmente a algumas referências da política nacional, chegamos à conclusão
de que Collor foi presidente somente com o seu próprio voto e com o voto do seu
vice-presidente.

Collor, Senador pelo PTB do seu Estado, é fidelérrimo ao
Governo Dilma e, mui leal com seus novos parceiros; diga Lula do alto do palanque
de Collor nas Alagoas onde, sem qualquer rubor, subiu e fizeram-se mútuas e
recíprocas campanhas. É aí que a porca começa a torcer o rabo. Na verdade, o
rabo da porca continua torcido desde o início dos tempos e, ao que parece,
torcido permanecerá até o seu final.

Lembram-se de Eduardo Paes? Lembram-se do Deputado Gustavo
Fruet? Dois protagonistas da famosa – mas já esquecida – CPI dos Correios; a
CPI que originou o processo do Mensalão. Pois bem, os dois deputados de então
vestiam plumagens tucanas e detonavam o PT, partido do então Presidente Lula, a
não mais poder. Não vou deitar os adjetivos da época para poupar o leitor e em
vista do pouco espaço que possuo. Pois bem, hoje, os dois, ambos candidatos a
prefeito nas suas cidades, tem o apoio incondicional do PT e de Lula. Não estou
falando dos 20 anos de impeachment de Collor, falo da política que não mudou,
ou melhor, de um modo de fazer política que não mudou.

Os ganhos econômicos e de desenvolvimento que o Brasil
obteve foram incapazes de, somados ao complexo processo de impeachment,
melhorar a institucionalidade brasileira. Vide mensalão e nunca esqueçam do dia
a dia do nosso sistema presidencialista de coalizão orçamentária, onde as
faturas são cobradas em recursos públicos e onde o voto é vendido a pretexto de
altos interesses públicos.

O abraço de Lula em Maluf, o palanque de Collor com Lula, os
amores do PT com Paes e Fruet, são capítulos de uma política que apodrece a
cada dia e de uma institucionalidade fortalecida por conta de uma cidadania
subnutrida e desmemoriada.

Relembrar o impeachment de Collor, o caçador de marajás, é
um dever de consciência, só isso. Não sobraram lições e
multiplicaram-se os marajás que, diga-se de passagem, nunca foram culpados de
nada, foram, e ainda são, produtos de uma institucionalidade, de um Estado,
dedicados a bem servir os pragmáticos de plantão; aliás, o plantão não termina
nunca.

Chega! A semana será de condenação do Zé Dirceu, do Zé
Genuíno, do Delúbio e de tantos outros. Isso servirá para quê? Voltaremos ao
tema daqui há 20 anos. Tenho quase certeza de que, nem bem passado o período da
condenação, todos estarão abraçados uns aos outros, uns nos palanques dos
outros, uns mais cínicos do que outros, mas todos cínicos. Assim como o Lula de
hoje abraça seus algozes de ontem, tudo continuará com antes no quartel de… xá
pra lá.