23 de Julho de 2007
Dilemas do crescimento e do desenvolvimento na conjuntura
1:48 pm - Diversos
(Guilherme C. Delgado)
Famílias e empresas, na linguagem das contas econômicas nacionais, são entidades microeconômicas que participam da produção e consumo de bens e serviços da sociedade. O montante acumulado dessa produção (sem dupla contagem) no ano de 2007, por exemplo, gerado em território nacional, é o Produto Interno Bruto do Brasil, que provavelmente deverá crescer ao redor de 4,5% (já descontada a inflação do período), comparativamente ao ano anterior. Diante desta situação, que o governo federal intenta prolongar por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), durante período mínimo de quatro anos, perguntam-nos alguns amigos o seguinte: “Se todos os dados macroeconômicos são bons, por que não se manifestam na microeconomia?”.
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20 de Julho de 2007
Eduardo III e a senatorial república
5:16 pm - Diversos
(Frei Betto)
Não se sabe se Shakespeare é autor de Eduardo III, peça que figura entre seus textos apócrifos. Os críticos ao menos estão de acordo que teria ele contribuído para os dois primeiros atos. A peça aborda um tema perene: governantes governam governos e, no entanto, quase nunca sabem se governar.
O que ocorre a eles bem sabemos, mudam os tempos, diferem os costumes: enredam-se em rabos de saia, nomeiam juízes e jurados do próprio julgamento, compram uma novilha para entrar na maracutaia e vendem a boiada para não sair dela.
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17 de Julho de 2007
O bosque e as árvores
10:29 am - Diversos -
Política
(Wladimir Pomar)
Quando falamos em capitalismo, falamos no bosque, no sistema aparentemente homogêneo, que emprega o capital acumulado anteriormente para acumular mais capital, através da relação que estabelece com o trabalho na produção. É o valor excedente, o lucro gerado pelo trabalho no processo produtivo, que permite ao capital acumular mais capital, e continuar se reproduzindo.
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12 de Julho de 2007
O deboche do “povo” é bucha…
2:09 pm - Política
(Ricardo Giuliani)
Estamos todos “horrorizados” com os escândalos de Brasília. E não são somente os da Capital Federal. Eles vêm de todos os cantos: municípios, estados, empresas, etc… Mas se prestarmos bem atenção, o povo também apresenta os seus. E como generalizar não é bom – a generalização, por definição, é injusta – do mesmo modo que não podemos dizer que todo político é corrupto, também, não há como afirmar que todo o povo comete barbaridades. Em primeiro lugar devemos consensuar uma preliminar: como jabutis não sobem em árvores, ovelhas não são pra mato, colorado não torce pelo grêmio, político não surge por geração espontânea. Noutras palavras, políticos não nascem em árvores!!! É o povo quem os elege, é o povo que os leva ao Congresso, às Assembléias Legislativas e às Câmaras de Vereadores. Como diria o letrado representante do povo, “em uma palavra”, o povo os elege.
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9 de Julho de 2007
E a Terra sorriu
9:53 am - Diversos
(Leonardo Boff)
Exatamente no primeiro dia do inverno, quando já começa a esfriar e quase todas as folhas que deviam cair já caíram, como as do meu pé de caqui, floresceu completamente a cerejeira japonesa em frente à minha janela. Há uma semana percebera que brotos estavam irrompendo, depois se desenvolveram com uma cor arroxeada e, de repente, numa manhã, estavam quase todos abertos. Pela tarde do mesmo dia, 21 de junho, início do inverno, abriram-se totalmente.
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9 de Julho de 2007
A retomada de Angra III
9:46 am - Diversos
(Joaquim Francisco de Carvalho)
Diante da intransigência do IBAMA e das ONGs ambientalistas relativamente à construção de novas hidroelétricas, o Conselho Nacional de Política Energética aprovou o término da obra de Angra III.
Para não entrar na disputa entre “verdes” e nucleocratas, seria interessante refletir sobre o seguinte: todos os países desenvolvidos que dispõem de algum potencial hidroelétrico aproveitável preferem a geração hidroelétrica à termelétrica a gás, óleo, ou fissão nuclear.
6 de Julho de 2007
Avacalhação oportuna
9:18 am - Diversos
(Hélio Schwartsman)
Se teu irmão –filho do teu pai ou da tua mãe–, teu filho, tua filha, ou a mulher que repousa em teu seio, ou o amigo que é como tu mesmo quiser te seduzir secretamente dizendo: ‘Vamos servir a outros deuses’, deuses que nem tu nem teus pais conheceram –deuses de povos vizinhos, próximos ou distantes de ti, de uma extremidade da terra à outra–, não lhes darás consentimento, não o ouvirás, e que teu olho não tenha piedade dele; não uses de misericórdia e não esconda o seu erro. Pelo contrário: deverás matá-lo! Tua mão será a primeira a matá-lo e, a seguir, a mão de todo o povo. Apedreja-o até que morra, pois tentou afastar-te de Iahweh, teu Deus”.
Tal passagem consta do “livro bom” (Deuteronômio, 13:7-11), aquele que deveria despertar o que temos de melhor em nós, segundo os defensores da religião. De minha parte, só tenho de agradecer o fato de meus ancestrais terem se tornado péssimos judeus, ignorando ordens diretas de Deus. Ou bem eles não leram o Deuteronômio ou optaram por não levar as Escrituras muito a sério. Se tivessem seguido à risca a injunção, minha avó materna (até onde sei a primeira atéia da família) teria virado uma poça de sangue bem antes de conhecer meu avô, e eu não estaria aqui, escrevendo estas palavras blasfemas.
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6 de Julho de 2007
O que seria e não é
9:09 am - Diversos -
Política
(Frei Betto)
Fico aqui do meu canto a observar aquele pedaço de Brasil situado na Esplanada dos Ministérios, mais conhecido como “Ilha da Fantasia”. Temo que a fantasia seja de nós, eleitores, iludidos pela esperança de que deputados federais e senadores iriam nos representar, lutar contra a desigualdade social, realizar a reforma agrária, promover o desenvolvimento sustentável. É verdade que há exceções, parlamentares que primam pela ética, transparência e coerência em seu compromisso com os mais pobres.
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5 de Julho de 2007
Regenerar a política
2:21 pm - Política
(D. Demétrio Valentini)
Neste final de semana [texto de 22/6/2007] o Conselho de Leigos da diocese de Jales reúne vereadores, para um encontro de reflexão.
Assuntos não faltam. A região se vê na iminência de se transformar num grande canavial, tal o ímpeto de implantação de novas usinas para a produção de álcool, bafejado pelos ventos favoráveis dos agrocombustíveis. E está na ordem do dia a reforma política, colocada agora em votação na Câmara Federal.
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2 de Julho de 2007
Um alerta nuclear
2:28 pm - Diversos
(Bernardo Kucinski)
Depois de muita hesitação, o governo finalmente optou pela retomada da construção de Angra III. Predominou a lógica dos grupos de interesse, todos favoráveis à retomada. São pela retomada os militares, fascinados pelo poder que a energia nuclear lhes traz, os industriais preocupados com o risco de um apagão, os cientistas, pelo prestígio e oportunidades novas na pesquisa e no comando do processo, os fornecedores de equipamentos e as empreiteiras, por motivos óbvios, e a população de Angra, seduzida em audiências públicas pela perspectiva de criação de alguns milhares de novos empregos de alta qualidade.
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