(Ricardo Giuliani Neto)
Seis e vinte da manhã e tudo recomeçou. O som rouco entrava pela janela tomando conta da cabeça inteira. Indiscernível, por todos os cantos do cérebro perambulava criando imagens embaralhadas e tomadas de movimento. Tudo Indiscernível, as vezes distantes, noutras me parecia tão perto.
Seis e vinte da manhã e aquela rouquidão tomava conta dos meus sentidos adormecidos.
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(Ricardo Giuliani Neto)
O Compact Disc, o nosso companheiro diário “CD”, pôs fim, digamos assim, a um modo de contar a vida ou de, nela, classificar-se.
Nos tempos do vinil, o famoso “bolachão”, quando tratávamos da vida dos outros, volta e meia, apareciam expressões como “conheces o lado ‘B’ do cicrano?”, “este é o lado ‘A’ do beltrano”! Não faz tanto tempo assim.
Tomado o CD como paradigma, tanto o beltrano quanto o cicrano, terão um lado só. Vejam só: o advento do CD, por um lado, além de matar a qualidade musical do vinil, levou consigo as possibilidades de nos apresentarmos multifacetados ao mundo —além, é claro, de determinar a falência de um modo de fofocar. Por outro, o CD pode se apresentar como nossa saída existencial.
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(Ricardo Giuliani Neto)
- E aí Dona? Se Eu chegasse de iate e te pedisse pra casar em Paris?
- Por que tá me dizendo isso?
- Tu me veria diferente, não é? Eu seria grandão e poderia tudo?
O final da tarde caía sobre o silêncio do Lago Guaíba. O sol se preparava para morrer nas águas do dia sem vento enquanto a primavera ornamentava-se com a nova vestimenta; sai o branco e assume a cor da tormenta.
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(Ricardo Giuliani Neto)
A semana nos trouxe a definitiva aprovação da famosa “emenda dos vereadores”. Mais 7800 nobres edis povoarão os rincões da vasta terra brasilis.
Tranquilizem-se! Afirmaram que as despesas orçamentárias nos edilícios municipais estarão limitadas e, portanto, os quase 8 mil vereadores serão bem-vindos porque custar-nos-ão menos. É barato, ou, como queiram, um barato pra quem não tem ouvidos moucos.
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