Carta ao meu filho Ranieri
(Ricardo Giuliani Neto)
Querido filho, antes de mais nada devo pedir permissão aos meus leitores porque, hoje, não vou falar nada de direito, nada de política, nada de interesse jurídico. Tenho a certeza de que todos me compreenderão; hoje vou “roubar” este espaço privilegiado para, só hoje, entregá-lo a ti.
Logo no dia mais importante desta quadra da tua vida, quando terminastes o ensino médio, o email que pedia meu depoimento a teu respeito não me chegou. Então, tiveste que ver todos os teus colegas lendo-se pelas palavras dos seus pais, enquanto tu, te (re)via pelas palavras da tua mãe; eu não estava lá.
O depoimento dela pra ti, pelo esforço e dedicação de sempre, já seria o suficiente. Grande mulher a tua mãe! Deve ter sido um texto cheio de carinho, de amor e de proteção, como é do feitio dela.
Quando soube de mais uma das minhas, e fiquei sabendo pelos teus olhos, quedei triste por não ter podido estar contigo naquela intimidade só tua. Mas sabes, eu estava lá contigo, não por qualquer ação minha, mas porque sei que me tens bem guardadinho dentro do teu enorme coração.
Os teus olhos de pidão – que tanto cativa a todos – cravaram no meu peito a necessidade da reflexão sobre estes anos todos que passamos lutando juntos. Sim, sempre ombro a ombro, sempre perseguindo o equilíbrio necessário à construção de uma felicidade sincera, sempre dividindo, cada um a seu modo, nossas angústias e ansiedades. Isso tudo nos fez tão unidos com a nossa família e com os nossos amigos.
Já notastes? Tens tantos amigos sinceros, tens tantas pessoas que tanto te gostam. Tens tanta sinceridade e candura que é impossível a qualquer um, botando os olhos nos teus olhos, de ti, deixar de gostar. Nós todos, teus amigos, tua família, todos os que te cercam, sabemos da grandeza da tua vitória; agora, é outro recomeço e, tenha a certeza, todos estaremos contigo.
Desculpe meu amor pelo desleixo de Pai desleixado. Queria eu te entregar um bilhetinho singelo para que tu pudesses, na singularidade daquele momento, gozar intimamente o prazer do depoimento de quem tanto te ama e de quem sabe que tanto por ti é amado.
Mas a vida tem dessas coisas. Os erros existem para que possamos a cada dia refletir melhor sobre a vida e sobre aqueles para quem entregamos inteiramente as nossas próprias vidas; por ti eu entrego a minha existência; meu amor, é de ti e do teu irmão que recebo a alegria de bem existir.
A tristeza que tive ao ver os teus olhos tenros, ao ouvir a pergunta do porquê não te mandei a “carta”, foi tão avassaladora, tão aguda, que me fez perceber o quanto não damos a devida importância àqueles que nos fazem felizes e que nos dão um sentido para a própria existência. Obrigado, meu filho, por me olhar com a candidez dos que amam por simplesmente amar.
Então, quero que todos saibam, quero que o mundo todo conheça o quanto te respeito e o quanto quero estar contigo pelo resto das nossas caminhadas.
Temos tantos caminhos para construir juntos, temos tantos olhares para ainda trocar, temos muito amor pra dividir, e, tenho certeza, temos o desejo comum de proporcionar a felicidade pra o Outro de modo que possamos ser cada vez mais felizes num mundo que se vai perdendo no egoísmo.
Vou ficando por aqui. Daqui a pouco vou te dar um beijo bem apertado e vou sentir o teu calor de filho tendo aqui no íntimo esta carta que te estou escrevendo e que pra ti, neste momento, ainda é secreta; daqui a pouco não mais será. Nesta segunda-feira a entregarei pro mundo e, então, ficarei orgulhoso de poder te dito pra todos o tanto que te amo e quanto estarei junto de ti pros desafios que, logo logo, baterão na tua porta.
Continue sendo este homem simples, sincero e dedicado a todos nós. O mundo te reserva grandes presentes. Como ouvi num daqueles desenhos animados que tanto gosto: o passado é história; o futuro é um caminho. O presente… é uma dádiva. Portanto, viva-o intensamente. Sonhe e faça-nos sonhar contigo!
Então, já que vamos pelos tempos do bom velhinho, é Natal, aproveito este momento ímpar na minha vida para desejar, a ti meu filho, e a todos os que nos leram, um momento de grande reflexão e de preparação para que possamos todos juntos fazer um mundo melhor.
Bom Natal par todos.
* Texto publicado no site http://ultimainstancia.uol.com.br/new_site/colunas_ver.php em 21/12/2009





