BBBâmos! Brindemos Luizas e edredons

26/01/2012 | Publicado por Ricardo Giuliani na categoria Última Instância | Comportamento

Que equação é essa?!

Quem resolveu o problema, botou os pingos nos “is”,  foi o Carlos Nascimento do SBT. Ao anunciar a “volta da Luiza” do Canadá, detonou: “a Luiza voltou do Canadá e nós estamos menos inteligentes”. Na pleura, pimba na gorduchinha! Não que a Luiza seja gordinha, quis dizer que o Nascimento acertou a mosca. Tá! Não estou dizendo que a Luiza é mosca… Bem, deixa prá lá!

Ao entrar com a matéria no telejornal, foi dizendo que não era possível que dois assuntos da maior futilidade tenham tomado conta da imprensa nacional. O Fuki-Fuki bigbroderiano e a tal de Luiza – que nem sei quem é – foram capazes de dialogar com uma nação cada vez mais ansiosa e histérica por histerias e vidas alheias.

Digam o que disserem, continuo achando que o lixo cultural toma conta do mundo, e o faz na velocidade da luz; a luz que some das nossas mentes redes-socializadas. Não é prodígio brasileiro, é diarreia de dimensões globais.

Lá se vão 12 anos que consumimos o lixo do BBB e, entre milhões e milhões de reais em merchandising, nascem teses e doutores para justificar as porcarias admitidas como naturais nas nossas vidas. As estimulações descerebrantes do tipo “tá todo mundo aí, menos a Luiza, que está no Canadá”, produzem e reproduzem um tipo de pessoa que é somente pessoa, um ser vivente consumindo e consumido pelo raso e por um planeta  tuitado em 140 caracteres.

E tudo regado a manchetes no Jornal Nacional, como se a chegada da Luiza fosse a chegada das tropas brasileiras alocadas no Haiti, ou os exércitos franceses abandonando o Afeganistão, ou os filhos da crackolândia voltando para suas casas, pros pais, mães e irmãos e pros solidários e anônimos cidadãos sofridos de vida popularmente vivida.

Os estupros de meninas e meninos no nordeste brasileiro mereceram menos atenção do  que o “Estupro sob-edredonístico” consensual praticado em rede nacional, após  bebedeira patrocinada e estimulada pelos vendedores de álcool e da ilusão de que um e meio milhão faz alguém milionário; como se ser milionário fosse capaz de fazer alguém bom. Tudo em rede nacional inebriando a formação dos nossos jovens e borbulhando a  alienação de todos nós.

O estapafúrdio da cantilena é tanto que começa gerar indignações e levantes-de-saia. Em que pese a estupidez, sempre há os que rotulam os críticos destas práticas de elitistas ou de falsos eruditos ou outras coisinhas mais.

Não é crível que vivamos sob um jugo midiático dedicado, à guisa de sucesso empresarial, à expansão da miséria humana e ao abafamento das massas cinzentas.

Que gostem de BBB, que encham os espaços nobres com uma história sem pé nem cabeça, tudo bem. Mas o paradoxo está ali mesmo, nas mídias massificantes que atordoam o cotidiano com reality shows idiotas como, por exemplo, o das ricaças que bebem espumante – desculpem-me, Don Pérignon é Champagne – em taças de ouro; ao mesmo tempo, travam cruzadas éticas contra o Congresso Nacional e erigem bandeiras por uma moralidade abstrata que roga consciência à cidadania na hora do voto. É aviltante.

BBBs, pobres participantes, seduzidos a explodir suas sexualidades mediante a quase preordenada embriagues; e o país pediu o sangue de Um “determinado” em vista da  “vadiagem” da Outra. Polícia, ministérios, todos mobilizados! E o programa continua no ar e no ar continuará bombando camas divididas e carnes quentes pedindo carnes quentes, intrigas, fofocas e paredões de fuzilamento moral. E a Luiza não está lá, nem no Canadá, voltou celebridade pra nossa terra, levem-na ao BBB. Por que não?

A absolvição da mídia, nisso tudo, é o mais cruel.

E nós seguimos por aí estufando o peito e pregando moral de cuecas. Enquanto isso, o lixo vai sendo jogado pra baixo dos edredons ou distribuído em doses cavalares em rede nacional de televisão.

O Nascimento, do SBT, tem razão, a mídia está cada vez menos inteligente. E nós, emburrecidos e embrutecidos, os assistimos, lemos e aplaudimos feito claque de auditório.

Será que muda? Tenho quase certeza que não!

 

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