Pedágio, Seca e cara no Piso – Jornal do Comércio

25/01/2012 | Publicado por Ricardo Giuliani na categoria Política

Começo com João (1:1-3): “No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus”. “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez”.
Política é verbo e palavra e, como a pedra, uma vez lançada, cumpre trajetória sem volta. O dito faz, e como todo o dito, cria ambientes e contingências, expectativas legítimas e direitos de querer do verbo, plena realização.
Quem na terra dos grenais não sabia que vivemos de seca em seca? Quem, entre chimangos e maragatos, desconhecia nossa penúria orçamentária? E os pedágios, entre os maus e os bons, quem os desconhecia?
A clarividência sobre as nossas carências em infra-estrutura, saúde, educação e em capacidade de prevenção, é constrangedora!
O que irrita e faz prostrar é o “domínio-vazio” que os nossos homens e mulheres da política têm sobre o verbo; empanturram-se de palavrório. Enquanto isso a vida pulsa, as necessidades dos homens e mulheres, funcionários e cidadãos, pedem soluções reais e concretas. Para os agentes da política institucional, a palavra dada transformou-se em brisa e os discursos não são maiores que os pingos da chuva que teimam em não cair; quando caem na forma de verbo, devastam crenças e boas vontades.
A seca que aniquila o nosso Estado não é nova. Como nos prevenimos? Onde estão os investimentos e os reservatórios? Dia desses, com pompas, anunciaram, em dias de seca, “verbas” para a construção de açudes. Mas e a água para enchê-los? Os tempos não são tempos de seca?! Verbos cheios de nada!
O salário dos professores deprime. Piso, decantado em festa eleitoral, deprime? Entendam-se homens da Casa e do Tesouro. E o preço dos pedágios, verberados extorsivos e não-contratuais? Mandaram cumprir os contratos? Gotas pueris de uma água que não sacia a sede do mais longevo macróbio.
Disse João: “o Verbo estava com Deus”. O pedágio da seca, o piso rachado de sol, conosco, gaúchos.
Eles “sabiam” de tudo. Imaginavam eleições municipais sem discussão de Pedágios, Piso dos professores ou Seca. O verbo é duro, e quando jogado no Piso cobra alto Pedágio. Não falo de preço/dinheiro, afirmo é o preço/político que a fala sem vida, mais hoje, mais amanhã, cobrará.
Encerro com João: “Todas as coisas foram feitas por intermédio dele [verbo], e sem ele nada do que foi feito se fez”. Falemos nós que, hoje, escutamos para, amanhã, tudo esquecer.

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